Após assassinato, foliões lotam Manguinhos e polícia aparece em peso

Com segurança reforçada, região estava diferente do domingo e de outros dias do verão, segundo comerciantes e moradores

O clima de carnaval em Manguinhos, na Serra, não mudou na tarde desta segunda-feira (12), mesmo após a morte de um jovem em meio à folia na noite de domingo. As marcas de sangue ainda estavam na placa “Eu Amo Serra”, perto de onde ele morreu. Segurança tinha: muitas viaturas da PM e da Guarda Municipal, policiamento a pé e até vans. Coisa diferente do domingo e durante todo o verão, segundo quem convive no local.

Moradores e comerciantes reclamam que a polícia tem deixado parte do balneário desprotegida no verão. E isso acaba atraindo criminosos. “Você vê lá na entrada de Manguinhos um carro com três ou quatro policiais. Hoje está perfeito. Quisera Deus fosse assim direto”, afirmou uma ambulante que trabalha no local há cerca de 18 anos.

O garçom de um restaurante em Manguinhos relata que, devido à falta de policiamento, muita gente têm levado até caixas de som com música alta.

“É ruim. Tem vez que tem policiamento e outra não tem. Os caras ligam som alto com músicas que as pessoas às vezes não gostam e isso afasta nosso público”, reclama. Assista no vídeo como foi a movimentação nesta segunda-feira:

PLANEJAMENTO

A presidente da Associação de Moradores de Manguinhos, Márcia Montarroyos, lembra que houve um planejamento para o carnaval na região, com reuniões com polícia e prefeitura. Ela afirma que pediu que a PM cercasse as entradas do balneário. 

“Eu percebi uma falha da PM no sábado, com entradas sem proteção. Aí os criminosos entram e saem. Pedimos policiamento até quando não tivesse uma pessoa no balneário. Agora estamos em luto porque queríamos um carnaval de paz, em família, como foi no sábado”, lamenta.

Márcia lembra que entre os problemas na região estão os assaltos em algumas importantes avenidas. Sobre o som alto, a prefeitura disse que está fiscalizando, mas que caixas de som são permitidas com até 55 decibéis de volume.

“IMPOSSÍVEL ONIPRESENÇA POLICIAL”

A Polícia Militar respondeu, em nota, que manteve o reforço de policiamento da mesma forma desde o início da Operação Verão. “Foram empenhados alunos do Curso de Formação de Sargentos, Força Tática e viaturas extras, todos atuando no foco da festa e nas imediações, conforme demanda”, afirmou.

A corporação justificou que o homicídio em Manguinhos está relacionado a outras atividades criminosas. “Infelizmente por impossibilidade da onipresença policial, não pôde ser evitado. A PMES orienta a população a acioná-la em casos de crimes em andamento ou prestes a ocorrer, via 190, e denunciando criminosos nos casos de crimes já ocorridos via 181”, finalizou a nota.

Além da dona de casa, outras três pessoas foram baleadas. Um rapaz de 18 anos também recebeu alta. Uma jovem de 24 anos está em estado grave e outro rapaz, de 27 anos, passou por cirurgia e está em estado estável.