Corpo encontrado no Rio Jucu é de médica, diz família

A cardiologista estava desaparecida desde o dia 03 de abril

O caso foi registrado no início da tarde desta quarta (4) na Delegacia de Pessoas Desaparecidas pela família da médica
O caso foi registrado no início da tarde desta quarta (4) na Delegacia de Pessoas Desaparecidas pela família da médica
Foto: Reprodução | Facebook

Chegou ao fim a esperança da família da médica Jaqueline da Penha Colodetti, 50 anos, de reencontrá-la com vida. A cardiologista estava desparecida havia 13 dias. Nesta segunda-feira (16), um laudo de identificação realizado por peritos da Polícia Civil comprovou que o corpo encontrado no Rio Jucu era da médica.

O corpo de Jaqueline foi encontrado por um proprietário rural, no domingo (15), agarrado entre galhos e pedras no rio, que faz limite entre os municípios de Marechal Floriano e Domingos Martins, região Serrana do Espírito Santo.

O corpo foi retirado da água por uma equipe do Corpo de Bombeiros e levado para o Departamento Médico Legal (DML), em Vitória. Ainda na noite de domingo, familiares foram ao departamento, porém, a identificação visual era inviável devido ao adiantado estado de decomposição.

A polícia informou que a roupa descrita por testemunhas que viram a médica andando, às margens da ES 262, era semelhante à que estava no corpo: sutiã avermelhado e calça jeans. No corpo também foram encontrados brincos, aparelho ortodôntico e prótese de silicone nos seios.

Na manhã desta segunda-feira (16), parentes levaram exames odontológicos e registros médicos para o Departamento de Identificação da Polícia Civil.

A comparação dos registros da arcada dentária e da identificação das próteses mamárias que a médica possuía permitiram aos peritos constatarem que se tratava de Jaqueline. A família foi comunicada, acompanhou o processo de identificação e liberou o corpo no final da tarde.

O sepultamento de Jaqueline acontecerá nesta terça-feira (17), às 11 horas, no Cemitério São Pedro, no bairro Cruzeiro do Sul, Cariacica.

Por meio de nota à imprensa, a sobrinha da cardiologista, Elizabetta Colodetti, fez um agradecimento a todos que colaboraram com as buscas. “Agradecemos a todos que nos ajudaram, compartilharam informações, acionaram amigos e se uniram nesta grande corrente de orações. Nos sentimos acolhidos e amparados neste momento de extrema dor. Nossa querida irmã, tia, mãe, médica e amiga fará muita falta nas nossas vidas e nós continuamos a pedir que rezem pela nossa família”, pediu Elizabetta.

O Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes) divulgou uma nota de pesar lamentando o falecimento de Jaqueline que, segundo a nota, era tão respeitada e que tanto contribuiu para o exercício da medicina durante sua vida.

CAUSAS DA MORTE

 

 

A causa da morte da médica é o novo foco da Polícia Civil, como informou o delegado Eduardo Passamani, chefe interino da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

“Familiares prestarão depoimento assim que possível. Também aguardamos o laudo cadavérico que deve demorar um pouco mais para ficar pronto. Isso também nos trará informações que indiquem a causa e as circunstâncias da morte”, disse Passamani.

As investigações ficarão a cargo da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), chefiada pelo delegado Janderson Lube. Serão reunidas as informações coletadas no local em que o carro da médica, modelo Kia Sportage branco, foi encontrado às margens da rodovia ES 262, próximo à ponte sobre o Rio Jucu. No carro estavam pertences pessoais da médica e um bilhete.

DESAPARECIMENTO

No dia 3 de abril, a Polícia Civil começou a investigar o desaparecimento da médica Jaqueline da Penha Colodetti. O caso foi registrado na Delegacia de Pessoas Desaparecidas (DPD).

Carro em que a médica estava
Carro em que a médica estava
Foto: Divulgação de familiares

O carro da médica - um Kia Sportage - foi encontrado abandonado em cima da Ponte do Rio Jucu, em Viana. Segundo um caseiro, a médica ficou parada dentro do carro por cerca de duas horas. A família acreditava que Jaqueline teve um "apagão".

BUSCAS

Na manhã do dia 4 de abril, equipes do Corpo de Bombeiros realizaram buscas, por mergulho, no Rio Jucu. Uma outra equipe, com auxílio de um cão, também realizaram buscas até às 18 horas, na região de Biriricas. No dia 5, grupos de voluntários formados por familiares e moradores da região auxiliaram o Corpo de Bombeiros na procura pela médica.

CÂMERAS DE SEGURANÇA

O serviço de inteligência da Polícia Militar analisou imagens de segurança da região para tentar encontrar o paradeiro de Jaqueline. A PM tinha em mãos imagens de câmeras de restaurantes e postos de gasolinas da BR 262, de Biriricas, em Domingos Martins, até Venda Nova do Imigrante.

SUPOSTA CARONA À BAHIA

No dia 9 de abril, um caminhoneiro entrou em contato com a família de Jaqueline e contou que deu carona para a cardiologista, no município de Planalto, na Bahia, até Poções. Alguns motivos levaram os familiares a acreditarem na pista. As buscas no Espírito Santo chegaram a ser suspensas. Na Bahia, a Polícia Rodoviária Federal chegou a parar caminhoneiros e mostrou cartazes com a foto da médica. O caminhoneiro relatou à família que a médica estava assustada, desorientada em com fome.

Um suposto vídeo de Jaqueline circulou pelo Whatsapp. Ela havia sido vista em um supermercado na cidade baiana de Poções. Os familiares foram até o estado e desmentiram o boato. "Infelizmente não era ela. Nós até recebemos um vídeo desta mulher, mas não era minha tia", disse a sobrinha da médica, Raíza Colodetti.