Capixaba é preso por envolvimento em tráfico transnacional de drogas

A operação deflagrada pela Polícia Federal cumpriu dois mandados de prisão no Espírito Santo

Operação mira bando que usa contêineres transportados em navios de carga para enviar cocaína para a Europa
Operação mira bando que usa contêineres transportados em navios de carga para enviar cocaína para a Europa
Foto: Gildo Loyola/Arquivo AG

Um capixaba foi preso nesta segunda-feira (10), acusado de fazer parte de uma quadrilha que enviava drogas para fora do país. O mandado de prisão dele é resultado da Operação Antigoon, deflagrada pela Polícia Federal, que desarticulou um grupo especializado em tráfico transnacional de drogas. Os acusados, segundo a PF, usavam cinco portos brasileiros para mandar drogas para países da Europa, Ásia e África. Dos 15 mandados de prisão, dois eram no Espírito Santo.

Segundo o auditor fiscal e delegado adjunto da Alfândega no Espírito Santo, Jaques Mauro de Moares, um dos acusados era auxiliar de despachante aduaneiro e já estava preso desde abril. O outro era um homem acusado de atuar dando apoio logísticos ao tráfico. Ele foi levado para a sede a Polícia Federal, em Vila Velha, e negou qualquer envolvimento com a quadrilha. 

Operação

Durante a operação batizada de Antigoon, foram executados 21 mandados de busca e apreensão. Dos 15 mandados de prisão, 12 foram cumpridos. Doze eram no Rio de Janeiro, dois no Espírito Santo e um em São Paulo.  Segundo o chefe da delegacia de Repressão às Drogas da Polícia Federal, Carlos Eduardo Thome, o foco da quadrilha não era o consumo interno. “Visavam a exportação das drogas via modal marítimo”, explicou.

As drogas eram enviadas a outros países com o uso de contêineres transportados em navios comerciais de carga. As empresas proprietárias das cargas não tinham conhecimento do tráfico.

Os lacres eram adulterados para a inclusão das cargas, retiradas no porto de destino, quando eram colocados novos lacres nas cargas. Mas também foi detectado a criação de empresas fraudulentas com objetivo de exportar as drogas.

A cocaína, segundo a Polícia Federal, vem dos países produtores que fazem fronteira com o Brasil: Colômbia, Peru e Bolívia. Na operação de ontem, elas foram retidas em portos da Bélgica, Itália e Espanha.

Só este ano, foram apreendidos no modal marítimo um total de 15 toneladas de cocaína. No ano passado, as apreensões totalizarm 48 toneladas, das quais 17 toneladas foram em portos e navios carregados para o exterior.

No Espírito Santo, foi apreendida quase 1,3 tonelada de cocaína no Porto de Vitória. Além dos contêineres, também são utilizados blocos de granito, considerada pelos traficantes uma excelente forma de transportar drogas, já que é difícil detectar o material em seu interior, a não ser que o quebre.

O valor das apreensões feitas recentemente pela Polícia Federal ultrapassou a casa dos 160 milhões de euros. O material, já com o valor final de revenda, chegaria a R$ 1 bilhão.

Os lideres da quadrilha eram empresários do ramo de importação e exportação que intermediavam a compra no Brasil e no exterior. Mas também foram presos despachantes aduaneiros, funcionários de terminais portuários e caminhoneiros que faziam o transporte dos contêineres e desviavam a rota no caminho para o abastecimento com a cocaína.