Caso Amaro Neto: assessor diz que PM ameaçou deputado de morte

Veja detalhes do depoimento do assessor de Amaro Neto à polícia

Foto: Lissa de Paula/Ales

O assessor parlamentar do deputado estadual Amaro Neto relatou à Polícia Civil que o cabo da PM Fernando Marcos Ferreira ameaçou a vida do parlamentar. O militar e a mulher, a pedagoga Keila Bonde Ferreira, estão presos desde a última sexta-feira (30) acusados de extorsão. 

No depoimento prestado na Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes Eletrônicos, o assessor de 33 anos – que trabalha com o deputado desde 2015 – afirmou que fez a negociação com o PM no dia 30 de novembro. Ele contou que havia procurado a delegacia no dia anterior, 29, após tomar conhecimento da possível extorsão por parte de Keila, através de prints da conversa do celular pessoal do deputado. 

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Na unidade policial, o assessor narrou que Amaro era vítima de uma tentativa de extorsão “por parte de antiga colaboradora de campanha e ex-servidora da Secretaria de Esportes, Keila Bonde”. Ainda segundo ele, a extorsão seria para não vazar informações de cunho íntimo envolvendo o deputado e que o intermediário de Keila era o marido dela, Fernando. Após fazer a denúncia, o assessor foi orientado a retornar, no dia seguinte, para diligenciar junto com uma equipe de policiais. 

No dia 30, ele foi ao encontro marcado na casa de Keila, em Campo Grande, Cariacica, acompanhado de policiais civis da delegacia, onde foi recebido por Fernando. Assim que entrou na residência, o PM pediu para que o assessor levantasse a camisa e mostrasse o corpo, fato que o fez acreditar que o militar estaria verificando se não havia nenhum gravador junto ao corpo do assessor. O PM exigiu ainda que ele colocasse o celular sobre a mesa e disse que gravaria a conversa. 

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No decorrer da conversa, o PM informou que preço do que chamava de “produto” era de R$ 500 mil e que deveria ser pago com uma entrada de metade do valor. O pagamento deveria ser feito por meio depósito na conta da esposa, Keila Bonde. O assessor contou que chegou a tirar foto dos dados da conta bancária e encaminhou para o celular do deputado.

No relato do assessor, ele diz que Fernando apresentava um volume na cintura, o que intuía ser um armamento de fogo. Em um determinado momento, o militar exigiu que o assessor destruísse o celular e conversas mantidas na casa. Porém, ele somente apagou as mensagens que havia enviado para o deputado e mostrou para o PM, que disse que “o ‘produto’ era muito importante.... que a partir daquele momento a vida do declarante (o assessor) e a de Amaro Neto estavam correndo perigo”, informou em depoimento.

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Na conversa, o PM teria dito depois que “o produto valia R$ 5 milhões e que Amaro Neto estava pagando pouco”, descreveu. O assessor então deixou a casa e entrou em contato com os policiais civis, que juntamente com policiais militares entraram na casa e detiveram Fernando.

O assessor finaliza o depoimento manifestando desejo de representar criminalmente contra o policial.