Caso Amaro Neto: mulher diz que deputado ofereceu R$ 500 mil

Pedagoga nega extorsão; ela e o marido, um PM, estão presos acusados de tentar extorquir dinheiro do deputado

Foto: Lissa de Paula | Ales | Arquivo

Em depoimento prestado na Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes Eletrônicos, a pedagoga Keila Bonde Ferreira, 36 anos, acusada de tentar extorquir R$ 500 mil do deputado estadual e deputado federal eleito Amaro Neto, afirmou que foi o parlamentar que ofereceu dinheiro para que a relação amorosa entre os dois não fosse divulgada.

A pedagoga disse, ainda, que Amaro fazia ameaças contra ela e o marido, o cabo da Polícia Militar Fernando Marcos Ferreira. O casal está preso desde o último dia 30. A defesa do deputado nega todas as acusações.

> Acusada de extorsão participou da campanha de deputado

De acordo com Keila, em depoimento, ela e Fernando são casados há 20 anos. No final de 2017, ela respondeu a uma brincadeira de Amaro no Instagram e o deputado a respondeu. Em seguida, os dois começaram a conversar pela madrugada. Keila relatou que possui o teor da conversa gravado, onde ela contou a Amaro que é casada e ele, inclusive, demonstrou surpresa.

Durante a conversa, Keila teria dito que estava desempregada e que Amaro pediu todos os documentos dela. Logo depois ela passou a trabalhar na Secretaria de Esportes (Sesport).

> Justiça mantém prisão de casal acusado de extorquir dinheiro de Amaro

A pedagoga conta que iniciou o romance com Amaro no início de 2018 e que todo conteúdo de conversas, fotos e vídeos trocados entre os dois estão guardados apenas no celular dela. Foi após ter acesso ao aparelho que Fernando, o marido, descobriu a relação.

No depoimento, Keila diz também que Amaro teria ameaçado acabar com a vida de Fernando “de qualquer forma”.  Segundo ela, o teor das ameaças chegou ao ponto de Amaro exigir que ela fizesse uma tatuagem com o slogan da campanha dele “Coragem e Coração”.  A acusada alega que obedeceu por medo do que ele poderia fazer contra Fernando.

Sobre a acusação de tentativa de extorsão, Keila garante que enviou as mensagens para Amaro por medo. E que foi o próprio parlamentar que ofereceu R$ 500 mil para que a relação não fosse exposta. Ainda segundo ela, o dinheiro seria para “sensibilizar” Fernando.

A oferta teria sido feita pessoalmente, no dia 28 de novembro, sem a presença de testemunhas, próximo à casa dela. Segundo a acusada, em relato à polícia, Amaro foi ao encontro dela em carro público da Assembleia Legislativa e que câmeras de videomonitoramento podem comprovar o encontro.  Por fim, ela revela que saiu do emprego na Sesport por “fofocas internas”.

Procurada na tarde desta terça-feira (4), a assessoria da Assembleia Legislativa afirmou que o carro oficial fica à disposição do parlamentar e ele responde pelo uso do veículo.

"VERSÃO É SEM CREDIBILIDADE", AFIRMA DEFESA DE DEPUTADO

Procurada, a defesa de Amaro Neto negou que o parlamentar tenha ameaçado Keila Bonde Ferreira, 36, e o marido dela, o PM Fernando Marcos Ferreira. Para o advogado Ludgero Liberato, as acusações de Keila não possuem credibilidade ou provas.

Segundo o advogado, Amaro teve a postura de um cidadão de bem ao ser vítima de extorsão e procurar as autoridades para denúncia.  

Tudo o que Amaro e Keila disseram foi submetido à avaliação de um delegado de polícia, que confrontou aquilo que foi levado pelos dois e entendeu que Keila tinha praticado um crime. Tanto que ela foi presa em flagrante e a prisão foi mantida pela Justiça

Liberato ainda negou a acusação de que Amaro teria ameaçado Keila e Fernando, além dele ter oferecido R$ 500 mil aos dois, pedindo segredo sobre a relação amorosa. 

“Se o que ela fala tivesse o mínimo de credibilidade, ela não estaria presa. Que cidadão espera ser preso para depois dizer que sofria ameaças?”, indagou, completando que  Keila nunca foi servidora nomeada ou funcionária da campanha de Amaro.