Tio suspeito de causar morte de sobrinha em 2017 é morto em Cariacica

Jean Carlos Nielsen dos Santos foi executado a tiros na Rua Espírito Santense, em São Geraldo II. Em 2017 ele havia sido indiciado por feminicídio após a morte da sobrinha, a estudante Jéssika Nielsen dos Santos Lacerda, 15 anos

Em junho de 2017, Jean Carlos Nielsen dos Santos foi indiciado pela morte da sobrinha, Jéssika Nielsen dos Santos Lacerda
Em junho de 2017, Jean Carlos Nielsen dos Santos foi indiciado pela morte da sobrinha, Jéssika Nielsen dos Santos Lacerda
Foto: Bernardo Coutinho/Arquivo AG

Um homem suspeito de provocar a morte da sobrinha em 2017, no bairro Maracanã, em Cariacica, foi morto na noite deste sábado (13), no bairro São Geraldo II, em Cariacica. Segundo o Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Jean Carlos Nielsen dos Santos foi executado a tiros na Rua Espírito Santense. O crime ocorreu por volta das 23h. No corpo da vítima a perícia encontrou pelo menos 11 perfurações.

Em agosto de 2017, o vigilante Jean Carlos Nielsen dos Santos havia sido indiciado por feminicídio pela Polícia Civil, após a morte da sobrinha, a estudante Jéssika Nielsen dos Santos Lacerda, de 15 anos.

A adolescente morreu em junho do mesmo ano, em decorrência de um trauma craniano e de um choque cardiogênico (quando o coração não consegue bombear sangue para os órgãos, causando queda de pressão arterial e acúmulo de líquido nos pulmões).

À época, a Polícia Civil concluiu que Jéssika havia sido agredida pelo tio após uma discussão. A prisão em flagrante ocorreu no dia 27 de junho, quando Jean Carlos foi autuado por agressão, injúria e ameaça na forma da Lei Maria da Penha. 

Jéssika Nielsen dos Santos Lacerda morreu após uma discussão com o tio, Jean Carlos, em junho de 2017
Jéssika Nielsen dos Santos Lacerda morreu após uma discussão com o tio, Jean Carlos, em junho de 2017
Foto: Reprodução/Facebook

PRISÃO

Procurada, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) informou que Jean Carlos Nielsen dos Santos teve passagem pelo sistema prisional entre junho de 2017 e novembro de 2018, pelos artigos 129 (lesão corporal), 147 (ameaça) e 140 (injúria).

POLÍCIA CIVIL

Em nota, a Polícia Civil informou que nenhum suspeito pela morte de Jean Carlos ainda foi detido. O caso seguirá sob investigação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cariacica, e outras informações não serão passadas, no momento, para não atrapalhar o andamento das investigações.

"A polícia conta com a colaboração da população e qualquer contribuição para identificação de suspeitos pode ser feita por meio do Disque-Denúncia 181 ou pelo disquedenuncia181.es.gov.br, onde é possível anexar imagens e vídeos de ações criminosas. O sigilo e anonimato são garantidos", conclui a nota.

A MORTE DA SOBRINHA EM 2017

Jean Carlos Nielsen dos Santos, 38 anos, foi atuado por injúria, ameaça e agressão
Jean Carlos Nielsen dos Santos, 38 anos, foi atuado por injúria, ameaça e agressão
Foto: Ruhani Maia

A estudante Jéssika Nielsen dos Santos Lacerda, de 15 anos, morreu, na madrugada do dia 28 de junho de 2017 após uma discussão com o tio, o vigilante Jean Carlos Nielson dos Santos, 38, no bairro Maracanã, em Cariacica. A briga ocorreu à noite, mas Jéssica só morreu durante a madrugada, no hospital. 

A estudante morava com os avós, pais de Jean, e o tio, e estava junto com eles em casa quando a briga começou, após Jean voltar de um bar. Vizinhos contaram que a adolescente saiu correndo para a rua e pediu socorro. Uma ambulância do Samu esteve no local e levou Jéssika para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência, em Vitória, e morreu às 3h10.

Segundo a polícia, a causa da morte de Jéssica foi choque cardiogênico - quando o coração não consegue bombear uma quantidade adequada de sangue para os órgãos nobres, causando queda da pressão arterial, falta de oxigênio nos tecidos e acúmulo de líquidos nos pulmões - e trauma craniano.

Na época, a polícia suspeitava que Jéssica tivesse sido agredida antes de chegar ao hospital. No entanto, segundo a própria polícia, o médico plantonista que atendeu a estudante afirmou aos policiais que não havia lesão física aparente no corpo dela, e classificou a morte como “morte natural”.

Jean foi preso dentro de casa e levado para o Plantão Especializado da Mulher (PEM). Ele prestou depoimento e foi autuado por injúria, ameaça e agressão na forma da Lei Maria da Penha. Em seguida, foi transferido para o presídio. A polícia não detalhou o que Jean disse em depoimento e nem como teria sido as agressões contra a sobrinha.