Empresária é indiciada por sujar nome de dona de pet shop na Receita

A vítima, dona de um pet shop, ficou devendo mais de 9,5 mil à Receita Federal, entre multas e imposto. Tudo por causa da fraude

Raquel Priscila foi investigada pela Divisão Patrimonial
Raquel Priscila foi investigada pela Divisão Patrimonial
Foto: Divulgação e arquivo

Uma administradora de empresas de 40 anos foi indiciada após fazer uma falsa declaração de imposto de renda de uma cliente por vingança em Vila Velha. A vítima, dona de um pet shop, ficou devendo mais de 9,5 mil à Receita Federal, entre multas e imposto. Tudo por causa da fraude.

Segundo as investigações, a empresária e administradora de empresas, Raquel Priscila Paes Rodrigues de Almeida, de 40 anos, foi contratada para fazer trabalhos de gestão financeira de marketing e inovação no pet shop da vítima. Seriam pagos R$ 500 para cada mês de trabalho, durante dois meses.

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No final do primeiro mês, a vítima pediu relatórios dos trabalhos executados pela administradora, mas eles não foram entregues. Com isso, a vítima rescindiu o contrato, mas falou que pagaria o primeiro mês dos trabalhos, mesmo sem receber os relatórios.

 

Como tinha acesso aos dados da vítima, no dia seguinte, um domingo de manhã, Raquel Priscila, por vingança, entrou no aplicativo da Receita Federal e fez a declaração do Imposto de Renda em nome da vítima, com um valor falso que totalizou R$ 8.947,30 de imposto devido, além de R$ 626,31 em multas. Além disso, o nome da dona do pet shop foi parar no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin).

“Foram utilizados os dados da vítima para realizar a declaração e também foi feita a baixa da empresa da vítima. Foi comprovado que isso foi feito da casa da investigada”, explicou o delegado.

A baixa da empresa foi feita pela internet mesmo. Os investigadores descobriram que a rede utilizada foi da casa da administradora de empresas. Ela negou para a polícia os crimes e justificou que a vítima usou a internet dela para fazer a baixa da empresa, mas elas não moram próximas, segundo a polícia.

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“Com o MEI dá pra fazer a baixa da empresa pela internet, até mesmo no domingo, como foi. A autora disse que a vítima usou a internet dela, mas quem em sã consciência vai fazer uma declaração falsa para prejudicar ela própria? Isso não é explicado e nem justificado”, ponderou o delegado.

A dona do pet shop só descobriu a situação quando tentou cadastrar a empresa dela em uma operadora de máquinas de cartão de crédito. “Ela tomou ciência só quando foi fazer o cadastro de uma máquina de cartão de crédito no nome da empresa e viu que estava em baixa por liquidação voluntária”, informou o delegado.

Foram registradas ainda ameaças enviadas pela autora da fraude à vítima, pedindo para que ela tomasse cuidado. Veja os prints de conversas abaixo:

PENDÊNCIAS NA RECEITA

O caso aconteceu em 2016, mas só agora a Polícia Civil conseguiu concluir o inquérito e indiciar a administradora de empresas, já que era necessário os dados da Receita Federal para comprovar as fraudes. Segundo a Polícia Civil, até hoje a dona do pet shop tem problemas com a receita por causa da fraude que sofreu.

“Até hoje o nome da vítima está no Cadin, causando vários prejuízos para ela. Agora a vítima vai ter a cópia do relatório final da investigação, para que ela tome as medidas administrativas cabíveis junto à receita federal para ter o nome dela retirado dos sistemas de imposto de renda”, declarou.

PUNIÇÃO

A administradora de empresas vai ser indiciada por falsidade ideológica, por ter usado os dados da vítima para prejudicá-la. A pena é de até três anos, mas ela já responde ao caso em liberdade, por ter residência fixa.

Além da pena na esfera criminal, Raquel Priscila também pode ser processada pela vítima e pagando uma indenização alta, segundo o delegado, visto o prejuízo que causou contra a dona do pet shop após a fraude e ao longo desses três anos, com o nome dela no cadastro de inadimplentes.

O caso chamou a atenção do delegado Brenno Andrade, que lembra que crimes cometidos pela internet também são profundamente estudados. “Em função de um desacordo comercial, a situação extrapolou a esfera cível e foi para a criminal e por causa de R$ 500,00 causou um prejuízo enorme à vítima e a autora não sabia que a polícia iria investigar. É necessário que as pessoas tenham cuidado com o que fazem na rede mundial de computadores, porque casos assim são possíveis de serem descobertos e os responsáveis serão levados à polícia e ao judiciário”, concluiu.

A reportagem do Gazeta Online tentou contato com a defesa da acusada, mas não conseguiu até o momento.