Dono de comércio com grades é xingado por dificultar vida de bandidos

O comerciante contou que queria ampliar a loja, mas acabou tendo que investir nas grades depois do primeiro assalto

Comerciante Nilton César Rezende, 36, foi vítima de criminosos e decidiu colocar grandes no comércio em Jardim Juara, Serra
Comerciante Nilton César Rezende, 36, foi vítima de criminosos e decidiu colocar grandes no comércio em Jardim Juara, Serra
Foto: Elis Carvalho

O dono de um comércio no bairro Jardim Juara, na Serra, onde uma adolescente de 16 anos foi morta com um tiro na nuca em um assalto, contou que foi xingado por criminosos depois de colocar grades na entrada e dificultar a ação dos assaltantes. Nilton César Rezende, de 36 anos, foi assaltado há 30 dias, quando passou pelo primeiro assalto.

O comerciante contou que queria ampliar a loja, mas acabou tendo que investir nas grades depois do primeiro assalto. “O vagabundo chegou colocando a arma na minha cabeça e na da minha esposa. Entrou lá dentro e fez a maior covardia. Hoje a gente vive dessa forma, atrás das grades”, declarou.

Mesmo com a grade, poucos dias depois um novo assalto foi registrado. “Ele chegou, levou um valor em dinheiro, mas falou que queria mais”, lembrou. Com a grade, o bandido não conseguiu entrar no estabelecimento e saiu xingando.

 

Segundo Nilton César, o movimento caiu cerca de 50% no comércio, já que as pessoas não conseguem entrar e escolher os produtos, precisando pedir do lado de fora. Ele, no entanto, prefere trabalhar dessa forma agora. “A gente trabalha na maior dificuldade. É um bairro novo e não tem muito movimento. Cliente chega, vê as grades, e vai embora. Trabalho de uma forma totalmente diferente do que gostaria”, completou.

O comerciante conta que já pensou em fechar as portas, mas preferiu continuar trabalhando. “A gente se sente prisioneiro. A insegurança está demais. Está impossível viver dessa forma. Eu até pensei em fechar o comércio, mas a vida tem que continuar, trabalhando dessa forma, com grade”, completou.

VÍDEO MOSTRA MOMENTO DO TIRO 

Imagens de câmeras de segurança de dentro do supermercado assaltado na noite deste sábado (15), no bairro Jardim Juara, na Serra, mostram o momento em que a estudante Ketelin Costa Sampaio, de 16anos, é baleada na nuca e morre durante um assalto ao estabelecimento

De acordo com investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), era por volta das 21h quando a vítima, identificada como Ketelin Costa Sampaio, foi ao supermercado com um casal de padrinhos. A vítima, que era moradora de São Diogo, também na Serra, foi ao bairro unicamente para acompanhar os padrinhos nas compras.

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Havia cerca de oito pessoas - sendo seis clientes e os proprietários, além do filho deles, de 12 anos - dentro do estabelecimento, que fica na Rua Sofia Sampaio, quando dois criminosos entraram, um deles armado e com capuz no rosto.

Ketelin Costa Sampaio foi morta com um tiro na nuca
Ketelin Costa Sampaio foi morta com um tiro na nuca
Foto: Reprodução/Redes sociais

O bandido armado anunciou o assalto e exigiu os celulares das pessoas que estavam no supermercado. As vítimas não reagiram e entregaram os aparelhos. Enquanto o homem de capuz rendia as pessoas apontando a arma para elas, o comparsa ia recolhendo os celulares e cerca de R$ 150 do caixa.

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A dona do estabelecimento, que estava nos fundos do supermercado, foi para a área da frente quando se deparou com a cena do assalto. Assustada, ela retornou para os fundos do comércio. Foi quando o criminoso armado perguntou: "Ela correu?"

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As vítimas então disseram que ela apenas tinha voltado para parte de trás. Nesse momento, o criminoso atirou na direção das pessoas e o tiro acabou acertando a adolescente de 16 anos que, muito nervosa, estava sendo amparada por um outro cliente. Ketelin foi baleada exatamente na hora em que ficou de costas e pediu para que um cliente abraçasse ela.

A adolescente morreu na hora. Os clientes entraram em desespero e os bandidos fugiram a pé pelas ruas do bairro.

JOVEM SONHAVA EM SER MODELO

Os tios e os padrinhos de Ketelin Costa Sampaio foram ao Departamento Médico Legal (DML), em Vitória, para liberar o corpo da adolescente. Muito abalada, a mãe não teve condições de ir ao local.

No DML, Maria Nazaré, que é madrinha da estudante, disse que, por pouco, quase foi alvo do tiro, já que sentiu o projétil passando próximo da cabeça dela até acertar a nuca da afilhada no supermercado. 

Maria Nazaré disse que ligou para a mãe da estudante para que a jovem passasse o final de semana com ela e o padrinho para ajudar na produção de marmitas. O casal e a adolescente foram ao supermercado para comprar os alimentos quando tudo aconteceu.

Maria Nazaré disse que, quando os criminosos chegaram, ela achou que tudo se passava de uma brincadeira, mas o bandido disse que não estava brincando e que era um assalto, momento em que eles começaram a apalpar todos que estavam no supermercado em busca de celulares e dinheiro.

Segundo a madrinha da estudante, Ketelin começou a passar mal, com tontura, e foi nesse momento que a jovem pediu que um dos clientes a segurasse. Em seguida, Maria Nazaré não sabe o motivo, um dos bandidos atirou. Ela acredita que foi por pura covardia ou falta de experiência dos criminosos.

Ketelin, segundo a madrinha, era cheia de planos, sonhava em ser modelo, gostava de dançar, sonhava em crescer como pessoa e continuar estudando. A vítima ajudava a mãe a cuidar dos três irmãos, de 9, 10, e 12 anos. 

Supermercado onde estudante foi assassinada em assalto
Supermercado onde estudante foi assassinada em assalto
Foto: Elis Carvalho

MORADORES EM CHOQUE

A reportagem do Gazeta Online esteve no bairro onde o crime aconteceu e os moradores estão em choque com a situação. Eles contaram que os padrinhos da vítima são moradores da região e conhecidos por vender marmita, e que a estudante de 16 anos estava no bairro para ajudar na produção da comida.