Dono de oficina condenado à prisão por inventar defeito em carros no ES

Com defeitos inexistentes, veículos ficavam meses parados na oficina até que clientes desistiam de esperar, vendiam o bem para o empresário, mas nunca recebiam o dinheiro

Ayres Francisco dos Santos usava o próprio estabelecimento para cometer crimes
Ayres Francisco dos Santos usava o próprio estabelecimento para cometer crimes
Foto: Polícia Civil | Divulgação

O empresário Ayres Francisco dos Santos, de 39 anos, foi condenado pela 4ª Vara Criminal de Vitória a 13 anos e 6 meses de prisão e 135 dias-multa por crime de estelionato. Preso desde o dia 6 de agosto do ano passado, o empresário era proprietário de uma oficina mecânica no bairro Jardim Camburi, Vitória.

De acordo com a decisão da juíza Gisele Souza de Oliveira, o réu se aproveitava da confiança conquistada dos clientes para mentir sobre defeitos inexistentes nos veículos. Assim, os serviços demoravam meses para ficarem prontos e, às vezes, voltavam a apresentar defeitos assim que eram entregues.

O ESQUEMA

Com a demora para o conserto e a recorrência dos defeitos, as vítimas desistiam de esperar e o empresário, agindo de forma premeditada, se oferecia para comprar os veículos e os convencia a fazer a transferência da documentação antes da quitação da dívida.

Essa reportagem foi escrita por uma participante do Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta
Essa reportagem foi escrita por uma participante do Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta
Foto: Divulgação

Esses bens eram revendidos por Ayres, que causava prejuízo tanto para os clientes que não recebiam o valor, quanto para os terceiros que compravam os carros sem ter conhecimento do esquema.

MAIS DE 100 VÍTIMAS

Segundo a juíza, neste processo, 12 vítimas foram citadas, mas existem outras investigações em curso e é possível que o réu tenha feito mais de 100 vítimas, inclusive em outros Estados.

Além dos crimes de estelionato, durante a investigação, o empresário também tentou influenciar no depoimento das vítimas. A magistrada afirma que houve, inclusive, relatos de ameaças a uma delas.

A juíza destaca que, embora tenha negado os crimes, o réu acabou confessando algumas das condutas criminosas.

“Ao confirmar a realização das transações com os clientes vítimas, afirmando que as fazia para obter lucro e quitar outras dívidas adquiridas por alegada crise financeira, o réu assumiu que, na verdade, fazia uma espécie de ‘falcatrua’, com a qual acabou se enrolando.”, diz a sentença.

INDENIZAÇÃO

O Ministério Público Estadual havia pedido uma indenização pelos danos causados às vítimas. A juíza decidiu que as reparações deverão ser feitas, em valores mínimos que, somados, chegam a R$ 216 mil.

PRISÃO

Segundo informações da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), o empresário está preso no Centro De Detenção Provisória de Viana II, desde agosto do ano passado.

A reportagem fez contato com o advogado de defesa, que disse que ainda não vai se manifestar sobre a decisão da Justiça.