Família diz que confeiteiro foi preso injustamente após perder documento

O documento foi perdido há 17 anos e o homem registrou um boletim de ocorrência

A família diz que Gilmar Ribeiro Pain perdeu o documento há 17 anos
A família diz que Gilmar Ribeiro Pain perdeu o documento há 17 anos
Foto: Divulgação

Imagina ser preso injustamente após ter a identidade roubada e usada por um criminoso. Isso é o que uma família afirma ter acontecido com um confeiteiro de 42 anos. Gilmar Ribeiro Pain perdeu o documento há 17 anos. Ele foi preso na tarde da última quinta-feira (05) e familiares o alegam que tudo aconteceu após ele ter o documento perdido usado por um criminoso.

O confeiteiro estava em casa, no bairro Nova Rosa da Penha II, em Cariacica, quando a prisão aconteceu. De acordo com o sobrinho da vítima, Alisson Ribeiro Pain, o tio perdeu o documento de identidade em 2002 e procurou uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência. Ele teve informações sobre a utilização do documento perdido com ajuda de um policial.

> Homem preso injustamente por morte de jovem no Rio é libertado

“Quando eu soube que meu tio estava preso, eu procurei a delegacia para saber o que fazer. Meu tio é um homem trabalhador, de bem, não tem que estar lá. Quando dei os dados do meu tio, o policial disse que ele tinha sido preso em 2002 e fugiu em 2003. Mas a questão é, meu tio nunca esteve preso. Descobrimos que outra pessoa usou a identidade dele quando foi preso”, disse.

O sobrinho do confeiteiro relatou que na delegacia a polícia passou informações da prisão de 2002. “Ele disse que a pessoa foi presa por tráfico de drogas. Quando foi abordado, provavelmente usou o nome do meu tio que não tinha nenhuma passagem”.

Alisson contou que a família já contratou um advogado para cuidar do caso do tio. “Queremos que ele seja solto. Ela está la por engano. A família toda está abalada”.

DOCUMENTOS PERDIDOS

O sobrinho da vítima pontuou ainda que na delegacia recebeu a informação de que o boletim de ocorrência que o tio registrou em 2002 pode ter sido perdido.

> Perdeu algum documento? Ele pode estar disponível nos Correios

“O policial disse que até 2013 os documentos eram feitos à mão e que a partir de 2013 eles passaram tudo para o computador. Nessa mudança alguns boletins foram perdidos e que o do meu tio podia estar no meio”, falou.

TRÁFICO DE DROGAS

Procurada, Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) confirmou que Gilmar está preso no Centro de Triagem de Viana (CTV) desde o último dia 5 por tráfico de drogas.

Indagada se ele já havia sido preso em 2002, fugindo no ano seguinte, a Sejus informou que não possui acesso às informações daquela época pelo sistema da Secretaria. 

> Operação prende 15 suspeitos de tráfico de drogas em Aracruz

DIGITAIS COLETADAS

A Polícia Civil informou, por nota, que sempre que um suspeito é detido e encaminhado a uma Delegacia de Polícia é realizada a identificação criminal, onde constam as digitais da pessoa.

"Todo o material é encaminhado à Justiça, que fica responsável pela verificação dos dados criminais do detido. Caso a pessoa não se reconheça como suspeito deve levar ao conhecimento da Justiça para que façam as devidas verificações", 

A Polícia Civil afirmou, ainda, que não tem conhecimento de perda do registro de boletim de ocorrência e orienta que a família leve esta reclamação à Corregedoria da Instituição, para que apure e tome as providencias cabíveis.

MP SOLICITA PERÍCIA

Também procurado, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça de Viana, informou que solicitou perícia grafotécnica, identificação criminal e citação do réu. O processo foi encaminhado ao Judiciário.