Nas redes sociais, mulheres mostram que não existe padrão

Um lição de autoestima para ter amor próprio

A produtora de moda baiana Daylane Cerqueira é a favor do movimento body positive
A produtora de moda baiana Daylane Cerqueira é a favor do movimento body positive
Foto: Reprodução/Instagram

Gordurinhas, manchas, cicatrizes e outras marcas no corpo que muita gente tenta esconder por vergonha algumas pessoas fazem é questão de mostrar. E mais: elas acabam usando essas “imperfeições” para dar uma verdadeira lição de autoestima.

É nas redes sociais – locais onde a falsa ideia de um mundo feliz e perfeito é potencializada ao extremo – que essas mulheres estão quebrando tabus de beleza e lutando contra o preconceito.

O fato de ter um corpo fora dos padrões estabelecidos não impede a produtora de moda baiana Daylane Cerqueira, de 30 anos, de se desafiar nas aulas de pole dance. Em seu perfil no Instagram, Daylane exibe, orgulhosa, que o amor próprio tem a ajudado a voar cada vez mais alto.

“Meu corpo não é só forma, é função. Se ele realiza tudo que precisa, independentemente do tamanho que tem, ele é perfeito como é. Claro que nem sempre a autoestima está bem. Até porque a gente é bombardeada o tempo todo para acreditar no contrário”, comenta a produtora.

Daylane conta que o pole dance a ajuda a se aceitar como é. “Ser uma mulher gorda na barra é um desafio pra mim e uma enorme surpresa (e porque não inspiração?!) para outras pessoas”, escreveu ela em uma postagem recente.

A cada clique, diz, a repercussão é imediata e positiva: “Recebo muitas mensagens de meninas falando que eu sou uma inspiração para elas, que elas passaram a entender que são bonitas também. Então vejo pelas respostas que estou ajudando outras pessoas”.

Daylane Cerqueira usa redes sociais para propagar a importância da autoestima
Daylane Cerqueira usa redes sociais para propagar a importância da autoestima
Foto: Reprodução/Instagram

Para a life coach Luciana Almeida, todo movimento que é feito para desmistificar o padrão de perfeição é extremamente valioso. “A busca pela perfeição está formando uma sociedade deprimida, insatisfeita. Olhar primeiro para o que falta é um grande erro, pois sempre faltará alguma coisa. Devemos olhar com mais compaixão para nós e, valorizar o que possuímos com alegria e agradecimento”. destaca a colunista da Revista AG.

Ao decidir encarar essa exposição nas redes sociais, a pessoa deve saber que, da mesma forma que virão elogios, virão críticas. “Infelizmente, quem se expõe está sujeito a receber elogios e críticas, e tem que se preparar para isso. Vemos hoje, em algumas situações, um tom muito agressivo. Para esses momentos o melhor conforto é o autoconhecimento, pois só se ofende quem não se conhece”, afirma Luciana.

“Se alguém que estiver acima do peso, for chamado de gordo não deve se ofender pois está ouvindo uma verdade, mesmo que seja de alguém muito deselegante. A minha dica é sempre a de não responder a ofensa. Deixe o próprio agressor se mostrar inadequado”, completa.

JOVEM COM VITILIGO QUER DAR UM BASTA NO PRECONCEITO

Começou com uma manchinha discreta no pulso, que logo se espalhou, não dando nem tempo de Karina, então com apenas 18 anos, assimilasse direito a doença que acabara de descobrir. O diagnóstico caiu como uma bomba na vida dela.

Karina de Oliveira, de 23 anos, faz ensaio para alertar sobre vitiligo
Karina de Oliveira, de 23 anos, faz ensaio para alertar sobre vitiligo
Foto: James Rodrigues

“Quando soube que era vitiligo foi um baque muito grande para uma pessoa que não se aceitava, que tinha problemas de autoestima já. Entrei em depressão”, conta a atendente Karina de Oliveira.

Problemas emocionais aceleravam a doença, e o olhar crítico dos outros só piorava o quadro. “As pessoas me viam e falavam 'nossa, como você pegou isso?’ ou ‘como você se queimou?’. Eu só chorava. Me machucava ter que todo dia dar explicação sobre o que eu tinha”, relata a jovem.

Mas no fundo do poço, Karina encontrou forças para se assumir e, sem intenção, começou a combater o preconceito em relação ao vitiligo.

“Uma amiga que é fotógrafa sempre me convidava para fazer um ensaio, e eu sempre recusava. Até que resolvi topar. “Fizemos de improviso, e me apaixonei pelas fotos! Coloquei nas redes sociais e tive uma repercussão enorme, com muitas mensagens de carinho”.

A dona da ideia, James Rodrigues, também se surpreendeu com o resultado. “Sempre a achei linda, mas ela tinha sérios problemas de autoestima. Sempre recusava meus ensaios, tinha medo de ter repercussão negativa, de virar meme, já que ela não é o padrão”, comenta a fotógrafa e amiga.

Diante do resultado, James resolveu levar a ideia adiante e criar o “Projeto Se Ame”. “É tão bom ver como estamos atingindo outras pessoas. A história da Karina inspirou outras meninas com vitiligo, que entraram em contato comigo falando que sentem a mesma coisa, que se escondiam. Queremos acabar com o preconceito em relação à doença e a outros problemas”, diz James.

Essa aceitação é fundamental para a própria condição dela, segundo o dermatologista Leonardo Ferreira. “O fator emocional interfere no desenvolvimento da doença. Quando a paciente não aceita o problema, a tendência é o quadro piorar. Se ela encarar melhor isso, pode manter a doença sob controle”, aponta o médico.

 Hélida Suellen, estudante, ganhou cicatriz após acidente de carro, em 2013. Mora em Brasíli. Novo olhar Hélida ganhou uma cicatriz na perna ao escapar com vida de um acidente de carro, em 2013, em Brasília, que a deixou sem andar por quatro anos.
Hélida Suellen, estudante, ganhou cicatriz após acidente de carro, em 2013. Mora em Brasíli. Novo olhar Hélida ganhou uma cicatriz na perna ao escapar com vida de um acidente de carro, em 2013, em Brasília, que a deixou sem andar por quatro anos.
Foto: Reprodução/Instagram