Areia monazítica pode aliviar dor no joelho?

Voluntários com osteoartrose farão testes nas praias de Guarapari

Areias monazíticas de Guarapari serão utilizadas em estudo
Areias monazíticas de Guarapari serão utilizadas em estudo
Foto: A Gazeta/Fernando Madeira

Pessoas que sofrem de osteoartrose no joelho terão a oportunidade de se candidatar a um estudo a ser realizado este ano para analisar se as areias monazíticas de Guarapari podem ter algum efeito positivo nesse tipo de doença.

A osteoartrose é um problema crônico que causa dor nas articulações em função de um desgaste na cartilagem local.

“Essa doença não tem cura. No entanto, tratamentos clínicos comuns utilizam algum tipo de radiação, como alguns tipos de laser. No conhecimento popular, pessoas com osteoartrose também buscam as areias monazíticas para alívio da dor. Há relatos antigos de que isso pode ser benéfico. É o que esperamos comprovar”, explica a professora Denise Coutinho Endringer, farmacêutica e diretora de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da UVV.

Denise é uma das coordenadoras da pesquisa, juntamente com o professor Márcio Fronza. Segundo ela, serão recrutadas 150 pessoas, que serão divididas em dois grupos: um grupo ficará exposto duas vezes por semana à radiação das areias monazíticas em Guarapari. Os voluntários permanecerão com o joelho submerso por 30 minutos por vez.

Um outro grupo de 75 pessoas fará o mesmo procedimento, mas na praia de Itapoã, em Vila Velha, cuja incidência de radiação, de acordo com a pesquisadora, é quase zero.

Os testes vão durar um ano. Para chegar aos resultados, será avaliada periodicamente a aparência da região tratada, bem como a dor e a rigidez descritas pelos voluntários, além de testes clínicos.

Os participantes terão que ser, obrigatoriamente, moradores de Vila Velha. “É um projeto ambicioso porque teremos que transportar essas pessoas até Guarapari ao longo de um ano. O trabalho vida garantir que o efeito será por causa da exposição programada. Por isso, Todos os voluntários serão de Vila Velha. Ninguém será morador de Guarapari”, observa Denise.

COMPROVAÇÃO

Não é de hoje que as areias monazíticas de Guarapari têm fama de serem curativas. Mas a professora Denise lembra que até hoje não houve nenhuma comprovação científica desse poder sobre a saúde das pessoas.

“Há mais de 40 anos se fala que as areias têm poder curativo frente a diversas doenças. Porém, nada foi provado. Só que sabemos que há cidades no país com praias em que a radioatividade é cem vezes menor e que utilizam o fato de isso promover bem-estar”, justifica a professora.

As areias monazíticas são compostas de metais pesados que as tornam radioativas. E as praias de Guarapari estão entre aquelas com mais radioatividade do mundo.

Segundo a pesquisadora, a dificuldade desse tipo de pesquisa é que os testes só podem ser feitos no local. “Não tem como reproduzir isso em laboratório porque o efeito da radiação dura segundos. Se movemos a areia, essa radiação se esvai. Além disso, o mar é importante na renovação dos minerais. Por isso mesmo, não adianta levar a areia para casa para o uso”.

Denise lembra que diversos países trabalham com o turismo de saúde e que o mesmo poderá ser feito em Guarapari caso os resultados da pesquisa sejam positivos, ou seja, que validem as areias da cidade como opção de tratamento