Pílula com insulina pode substituir a injeção

Cientistas criaram cápsula que libera substância no estômago

Pílula desenvolvida por pesquisadores é capaz de carregar insulina até o estômago
Pílula desenvolvida por pesquisadores é capaz de carregar insulina até o estômago
Foto: Felice Frankel/MIT

O desconforto de uma rotina de seis, oito injeções diárias de insulina pode estar perto do fim para os diabéticos do tipo 1. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), nos Estados Unidos, desenvolveram uma pílula que, ao ser ingerida, libera a substância no estômago. Mas não foi informada a previsão de chegada ao mercado para pacientes.

Membro do MIT, o professor Robert Langer disse, em publicação na revista Science, que a expectativa é grande para que a cápsula possa ajudar pacientes diabéticos e, talvez, também outras pessoas que dependam de terapias administradas por meio de injeção.

Dentro da cápsula, uma agulha é presa a uma mola, que é protegida por um disco de açúcar. Quando engolida pelo paciente, a água dissolve a parte açucarada e libera a mola. A agulha, que tem uma ponta feita de insulina, atinge a parede do estômago. Os estudos começaram com uma pequena quantidade de insulina – 300 microgramas – que foi aumentando até chegar a 5 miligramas, dose compatível à necessidade de um paciente com diabetes tipo 1.

O artigo aponta que testes foram feitos em ratos e suínos e demora mais de uma semana para as cápsulas se moverem por todo o aparelho digestivo, mas o processo não causaria danos aos tecidos dos animais.

Após a cápsula fazer o caminho, ela passa de forma inofensiva pelo corpo da pessoa – a composição é de um material biodegradável e itens de aço inoxidável, totalmente eliminada nas fezes.

A perspectiva de uma pílula de insulina capaz de substituir as injeções entrar no mercado é vista com otimismo pela endocrinologista Rosina Erthal Vilela, da Unimed Vitória.

“A princípio, me parece muito interessante. O diabético do tipo 1 toma várias picadas por dia, praticamente toda hora que come, e se houver uma forma de substituir essas injeções diárias, será um ganho enorme”, avalia.

CRIANÇAS E JOVENS

A médica explica que esse tipo de diabetes atinge mais crianças e adultos jovens e não tem relação com aumento de peso; é como se fosse uma doença autoimune, uma vez que o organismo desenvolve anticorpos contra as células produtoras de insulina.

Já o diabetes tipo 2 está associado a hábitos de vida, que levam ao acúmulo de gordura abdominal. A princípio, esses pacientes controlam a doença com medicação, já que o organismo continua a produzir insulina, só que ela não age bem. “Mas o organismo dessas pessoas pode esgotar essa capacidade de produção e também precisar aplicar a insulina”, observa Rosina Erthal.

A endocrinologista espera que os estudos avancem para que a cápsula seja comercializada. Embora não tenha informações específicas sobre a pesquisa, a médica acredita que, na fase em que está, a pílula poderia chegar ao mercado em três, quatro anos.

Até porque o número de diabéticos é alto. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), de 2017, indicavam que, naquele ano, havia 12,5 milhões de pessoas com a doença e o Brasil encontrava-se em 4º lugar entre os países com maior número de diabéticos. (Com informações do G1)

SAIBA MAIS

Como Age

Agulha

Dentro da cápsula, uma agulha é presa a uma mola, que é protegida por um disco de açúcar. Quando ela é engolida pelo paciente, a água dissolve a parte açucarada e libera a mola. A agulha, que tem uma ponta feita de insulina, atinge a parede do estômago.

Estudos

Dose

No início, os cientistas colocaram uma pequena quantidade – 300 microgramas de insulina – e gradualmente foram aumentado até chegar a 5 miligramas, dose compatível à necessidade de um paciente com diabetes tipo 1.

Testes

Animais

Os testes foram feitos em ratos e suínos. Demora mais de uma semana para as cápsulas se moverem por todo o aparelho digestivo, mas o processo não causaria danos aos tecidos dos animais. O processo foi considerado seguro.

Depois que a cápsula faz o caminho, ela passa de forma inofensiva pelo corpo da pessoa – é feita de um material biodegradável e de componentes de aço inoxidável, totalmente eliminada nas fezes.

Estatística

Brasil

Em 2017, havia 12,5 milhões de pessoas com a doença e o Brasil encontrava-se em 4º lugar entre os países com maior número de diabéticos.

CASCO DE TARTARUGA INSPIROU CÁPSULA

Ter uma pílula de insulina era um desafio para os bioengenheiros. A inspiração para a criação da cápsula veio da tartaruga-leopardo. O animal, encontrado na África, tem um casco alto e íngreme, que permite que se apoie e se reposicione ao “rolar de costas.”

Os cientistas do MIT usaram esse modelo de casco para criar a cápsula – a ideia era copiar a capacidade de auto-orientação do animal para a pílula chegar até a parede do estômago.

Após testes realizados com animais, o processo foi considerado seguro.

Tartaruga-leopardo tem casco alto e íngreme
Tartaruga-leopardo tem casco alto e íngreme
Foto: Katlyn R. Gerken/AP